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 Título do Eixo/GT 01: Marxismo, trabalho e lutas sociais: das ditaduras latino-americanas aos desafios da esquerda hoje

Coordenadores: Bruno José R. Durães, Luiz Nova e Gutemberg da Silva Miranda

      A ditadura civil-militar, instaurada no Brasil em 1964, representa um dos momentos de um processo político mais geral que é imposto à América Latina e envolve países como o Chile, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai e Colômbia, apenas para citar alguns exemplos mais notórios sul-americanos. Nesses diferentes contextos nacionais, a atuação contestatória não deixou de existir, apesar da forte repressão e do terrorismo de Estado. No ano em que se completam 50 anos do golpe no Brasil, é preciso avaliar o panorama histórico das ditaduras latino-americanas e a resistência política dos grupos de esquerda, das camadas populares e dos trabalhadores a tais ofensivas das classes burguesas. Além disso, é preciso questionar a sobrevivência institucional da ditadura nos sucessivos processos de “transição democrática” tutelados pelo poder militar e seus resquícios ainda hoje presentes nos aparelhos repressivos de Estado. O presente eixo de pesquisas poderá acolher trabalhos que analisem, de um ponto de vista marxista e/ou anarquista, socialista e comunista, as lutas sociais de resistência às ditaduras latino-americanas, os prolongamentos atuais dessas lutas contra a opressão, as novas formas de contestação, bem como formas diversas de trabalho na sociedade atual que sofrem exploração e se organizam na resistência ao capital. Hoje, em pleno século XXI, quando muitos já tinham anunciado o fim da história, eis que o improvável volta à cena, mostrando que esse mundo não é tão sereno como dizem, surgem protestos em diversos lugares. A juventude, os trabalhadores e os movimentos sociais mostram sua face, ocupam ruas, terras, praças, movimentam-se, o mundo volta a ficar em ebulição e o próprio sistema econômico está revolto e implacável. O capital continua se retroalimentando com o trabalho em escala global. O trabalho ainda é central no processo de acumulação e é também meio de resistência contra dominação. Outros grupos sociais também se fortalecem nesse cenário e procuram colocar suas demandas, como no caso das mulheres e dos negros. Então, nossa proposta procura aglutinar diferentes áreas dentro do espectro da sociedade capitalista e das formas de resistência passadas e presentes, tendo como base a teoria marxiana e marxista. Nesse sentido, as seguintes temáticas foram delimitadas: a) as ditaduras latino-americanas; b) os movimentos de resistência às ditaduras; c) análises marxistas e de outras correntes revolucionárias sobre o Estado burguês nas periferias do sistema capitalista; d) as lutas sociais hoje de novos grupos sociais (gênero, raça etc.); e) formas de trabalho na atualidade; e f) os desafios do socialismo.