Karlos Vynícius
Cachoeira – Escolas municipais de Cachoeira propõem hábitos alimentares saudáveis a seus estudantes, enquanto que nutricionistas sugerem a mudança da nomenclatura ‘merenda escolar’ por ‘alimentação escolar.’ A substituição do nome visa incentivar o consumo de alimentos ricos em nutrientes, ao invés da ingestão do popular ‘lanche’.
A antiga ‘merenda escolar’ é agora denominada de ‘alimentação escolar’, o que para a nutricionista e pesquisadora da UFBA, Amélia Reis, tem o propósito de “desfazer-se da ideia historicamente construída de que a refeição ofertada na escola seja apenas um ‘lanche’ ou algo sem maiores preocupações nutricionais”. Ela ressalta que os principais objetivos desta mudança são os de evidenciar a melhor qualidade do alimento que além de ser direito de todo cidadão, deve ser rico em proteínas, vitaminas, fibras e ferro. Além do que a alimentação escolar é, muitas vezes, a única e principal refeição do dia das crianças e adolescentes das escolas públicas.
Para Amélia Reis, alguns fatores devem ser levados em conta para que se tenha uma alimentação escolar saudável, como a adoção de alimentos próprios da cultura local, pois, segundo ela, não faz sentido serem servidos alimentos que os alunos não estão acostumados a comer.
Adenísia Souza, coordenadora da alimentação escolar do município afirma que aqui “nós temos o cuidado de inserir alimentos típicos da região. Não adianta colocarmos alimentos vindos de outros lugares, pois os alunos não vão gostar”. Outro fator importante é a inclusão de produtos da agropecuária local como forma de incentivo a agricultura familiar. Conforme a coordenadora municipal, Cachoeira reserva 30% do valor recebido do FNDE justamente como apoio ao produtor rural.
A nutricionista Amélia Reis destaca também a questão da sazonalidade, a adequação do cardápio aos fatores climáticos, por exemplo, a adoção de mingau, achocolatado e café com leite em dias de inverno; e suco, melancia e iorgute nos dias de verão. Isto contribui para que haja uma maior aceitação dos próprios estudantes para com a alimentação. Ela propõe inclusive a integração entre pais, alunos, professores e coordenadores como forma de obter-se uma alimentação de mais qualidade e de acordo com o dia a dia de cada estudante.

Entre as nove escolas da zona urbana de Cachoeira assistidas pelo município, a Escola Paroquial Dom Antonio Monteiro possui tempo integral e por isso é responsável por 70% do suprimento alimentar diário total de cada estudante. Segundo a coordenadora do município é feita uma pesquisa em cada escola justamente na intenção de se observar o que alunos gostam que se tenha no cardápio. Segundo ela, a maioria prefere pratos com feijão e arroz, pois para muitos deles é a primeira refeição do dia e são alimentos que ‘sustentam’.
Na escola, as frutas são conservadas em local arejado distante do contato de pessoas que não são responsáveis por administrá-las. Antes de serem distribuídas para os alunos, as frutas são selecionadas e lavadas. É servido também, ao longo da semana, um cardápio diversificado com os seguintes itens: arroz com soja, arroz doce, cortado de legumes com arroz, feijão tropeiro, pão com margarina e suco de frutas, mingau, etc. Porém alguns estudantes reclamam da falta de alimentos mais variados, segundo a estudante A. C. “deveria haver mais opções como cachorro-quente, pipoca, bolo, e não ficar na mesma coisa todo dia” afirma.
