Pescadores de Jaguaripe se reestruturam anos após mortandade de caranguejos

Por Roberval Santana

Pescador e a pesca do dia. Crédito: Leomir Santana

A mortandade dos caranguejos em Jaguaripe, que durou por volta de três anos, teria sido causada, segundo o presidente da Colônia de Pescadores, Amilton de Oliveira, pelo despejo de uma ração que é utilizada na criação de camarões.

Amilton disse que o IBAMA junto com o CRA- Centro de Recursos Ambientais – na época, hoje IMA – Instituto do Meio Ambiente – avaliaram a situação e foram eles mesmoss que deram o resultado, atestando que a morte foi causada por uma espécie de fungo que se desenvolveu no cultivo deste sistema chamado tanque de rede.

O sistema é formado por quatro telas de rede de malha fina com espaços menores para evitar que o camarão passe, formando um cercado. Amilton acredita que isto não seria a causa da mortandade, pois, o tanque de rede é utilizado no mar, mas, logo em seguida, acrescenta que talvez na hora que se limpa o tanque – num processo que eles chamam de “descarga” – restos de ração presa à rede, que é higienizada ali mesmo, possa ter chegado aos mangues. No entanto, salienta que é pouco provável.

O presidente da colônia de pescadores lembra que, antes da mortandade, saiam, por semana, três caminhões que transportavam caranguejos para algumas cidades do Recôncavo, como Santo Antonio, Nazaré das Farinhas, Valença e até para a capital. Agora, há um controle muito grande, pois o mangue está se reestruturando.

Hoje, estão tentando reimplantar o criatório de camarão e ostras, porque as gaiolas que são utilizadas na criação foram levadas pela última enchente que teve este ano.

A colônia conta com 800 associados, sendo que 160 são de marisqueiras. No período de reprodução dos peixes, as famílias contam com um auxilio de um salário mínimo durante quatro meses.

Alguns cursos são oferecidos na colônia: como curso de capacitação para trabalhar com ostras e sururus; e curso de manejo da pesca. Os pescadores agora tentam implantar um curso de segurança e preservação ambiental que foi solicitado à Capitania dos Portos. Eles contam também com cinco embarcações que são emprestadas durante 30 dias aos pescadores cadastrados.

Na região se pesca o robalo, que é o peixe mais procurado, sendo o quilo vendido por 16 reais. Também há o xaréu, tainha, arraia, sendo tudo comercializado na colônia.

Crédito: Gabrielle Alano
Meriane dos Santos e suas 2 filhas. Crédito: Gabrielle Alano

Mariscos em Mutá

No distrito de Mutá, o marisco é a fonte de renda mais imediata, o que ajuda na manutenção de famílias como a de Meriane dos Santos, que tem três filhos, e Vilma Souza de Santana, que tem dois filhos. Ela conta que pega um carro para Nazaré das Farinhas a fim de vender os mariscos. Em alguns casos, vende na cidade, mas fala que não ganha muito chegando, somente a 200 reais por mês.

Da mesma forma, Alex Ramos dos Santos diz que não tem outra maneira de sobreviver a não ser da pesca, chegando a ganhar pouco mais que um salário por mês.

Na Associação de Moradores de Mutá, existe um projeto de artesanato feito com Conchas que é vendidos em feiras de outras cidades. Maria Altamira Correia, presidente da associação, diz que a participação da cidade ainda é muito pequena, sendo que boa parte do que é vendido é justamente comprado por aposentados ou pessoas que sobrevivem por algum auxílio do governo.

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