Sexo na Melhor Idade: mulheres lutam contra preconceitos e aproveitam a vida

Não existe data limite para o fim das relações sexuais e a ginecologia tem orientações para amenizar dificuldades

Laura Fernandes

*Publicado em dezembro de 2022

A costureira Irene Carvalho, 64, moradora de São Gonçalo dos Campos, se sente mais aberta a viver sua sexualidade depois dos 60 anos. Para ela, é preciso abrir mão do preconceito com idade, enfrentar tabus e encarar que o sexo é importante.

“Acho que com o passar dos anos eu estou mais aberta a viver minha sexualidade, a gente precisa abrir mão de tanto preconceito, o sexo é um desejo como qualquer outro. Faz bem para a autoestima, faz bem para a saúde e não tem porque ser deixado de lado só pelo fato de passar dos 60, após essa idade precisamos nos redescobrir, as vezes surgem uns probleminhas por conta da  idade mesmo, mas sempre há uma solução”, destacou Irene Carvalho.

A sexualidade na maturidade carrega um histórico composto de tabus e preconceitos, apesar de estar diretamente ligada à qualidade de vida. Para as mulheres acima dos 60 anos, lidar com essa temática é ainda mais difícil devido à constante repressão e ideia de que com a chegada da menopausa e fim da reprodutividade acabam as atividades sexuais femininas.

Para a aposentada Rita Rocha, 61, casada há 34 anos, falar sobre sexo nunca foi um problema, mas encontrar pessoas da mesma faixa etária dela para bater um papo descontraído sobre o assunto é um desafio.

“Eu converso sobre sexo abertamente, tiro dúvidas, troco experiêcias, adoro falar sobre isso, mas com pessoas mais jovens, as pessoas da minha idade sempre repreendem quando eu introduzo o sexo nas conversas”, contou Rita Rocha.

A população total do Brasil era estimada em 212,7 milhões até 2021, e, nesse período, o percentual da população com 60 anos ou mais aumentou de 11,3% para 14,7%, segundo dados do  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com uma pesquisa realizada pelo Projeto de Sexualidade da USP (PROSEX) em 2016,  66,7% das mulheres brasileiras com mais de 60 anos mantinham uma vida sexual ativa.

O corpo muda

Com a chegada da terceira idade o corpo da mulher muda, além dos sinais de envelhecimento, a menopausa e comorbidades como diabetes e hipertensão tendem a acometer esse público provocando sintomas tal qual diminuição ou desaparecimento do líbido e ressecamento vaginal que torna o ato sexual doloroso seguido de irritação uretral simulando cistite.

O médico ginecologista Gesner Leitão chama atenção de que não existe uma data limite para o fim das relações sexuais, mas, após os 65 anos, as mulheres tendem apresentar dificuldades para realizar os atos sexuais.

“Não existe data limite. Porém, em se tratando de menopausa, principalmente depois dos 65 anos, quando existem comorbidades como diabetes, derrames, cardiopatias entre outras, o relacionamento sexual pode ficar comprometido. Sabemos que quando se torna possível fazer a Terapia Hormonal, melhora muito a qualidade de vida, e não apenas no que se diz respeito à função sexual. Diminuição da perda de cálcio, melhor desempenho físico, melhorias na concentração e no sono fazem parte do pacote”, explicou o ginecologista Gerner Leitão.

Ginecologista Gesner Leitão destaca chama que não existe uma data limite para o fim das relações sexuais Foto: Reprodução

Continuar frequentando as consultas com um médico ginecologista é outro fator importante para manter a saúde sexual em dias, além de tratar ou evitar desconfortos nas relações sexuais, previne enfermidades posteriores.

“Frequentar o Ginecologista pelo menos uma vez ao ano permite que haja uma terapia vigiada. Por exemplo, quem pode usar hormônio e até qual idade, se tem antecedentes de câncer de colo uterino ou de mama e nódulos mesmo benignos nas mamas, se o uso das medicações não está interferindo em outro tratamento ou apresentando efeitos colaterais nocivos. Na avaliação do ginecologista está o preventivo, mamografia, e ultrassom vaginal para avaliação dos ovários e do endométrio que podem estar alterados mesmo após a menopausa e a avaliação hormonal”, disse o especialista.

O Amor nos Tempos do Cólera

O filme lançado em 2007 retrata a história de Florentino Ariza que nunca esqueceu Fermina, seu primeiro amor. Ele esperou quase a vida toda por ela, que se casou com outro. E, 51 anos depois, o marido morre, e ele finalmente tem uma chance de reconquistá-la.

Trailer Oficial: O Amor nos Tempos do Cólera

 Boa Sorte, Leo Grande

Boa Sorte, Leo Grande com lançamento em 2022 conta a história de Nancy Stokes é uma professora recém-aposentada. Apesar de viver uma vida gratificante, ela nunca teve uma coisa: Nancy nunca teve um ótimo sexo, nem mesmo sabe como é um bom sexo e por isso decide ter menos uma noite de bom sexo. Ela tinha tudo na cabeça: ligaria para um jovem trabalhador do sexo e reservaria um bom quarto de hotel.

Disponível em: Boa Sorte, Leo Grande

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